Different Ways of Flying

June 19th, 2019
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BY JULIANA MEL

We all know that the same story can be interpreted in different ways, and it isn’t an exception when we’re talking about the universe of ballet. Even when a work apparently does not have many variations, as in La Sylphide, we can be surprised.

The first version of the ballet La Sylphide premiered in 1832 at the Opéra de Paris, choreographed by Filippo Taglioni with music by Jean Schneizhöffer.

It is a mark for the history of dance, a true turning point. The use of pointe shoes for the very first time, the creation of romantic tutu by Eugène Lami and the emergence of the “White Act” or “Ballet-blanc” – the moment when all the ballerinas wear a white tutu and pointe shoes – were some of the innovations that made La Sylphide a great success.

Its plot is the pure essence of the Romanticism: James, a Scottish farmer, is engaged to a young woman from the village where he lives; but after knowing the sylph, a winged entity who lives in the woods, he becomes divided between an ideal love dream and reality. An old sorceress and his unwise actions contribute for the sad ending of the plot.

La Sylphide was part of the repertoire of the Opéra until 1863, and then was forgotten for over a century. Just in the 1970’s Pierre Lacotte brought back this piece to the Opéra de Paris, where it still is performed. The initial intention was to bring back the original choreography but most of it was irretrievably lost. In order to realize this project and reconstitute as much as possible the original work, Lacotte based his research in documents from the era of the original production, including Marie Taglioni’s diary.

In the wedding scene, for instance, there’s an additional choreography from a ballet called L’Ombre, with music by Ludwig Wilhelm Maurer. The sequence shows a pas de trois in which James dances with Effie, his bride, and the sylph. This version had been staged by several dance companies, including the Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, in the 1990’s.

But even though the original French production has been lost, the story of La Sylphide was preserved due to another choreographer’s production, August Bournonville. He was enchanted by the original version, but he didn’t have the resources to bring it to the Royal Danish Ballet as it was. So, he decided to create his own version with a new music score composed by Herman Løvenskiold. Besides the music, other aspects were changed, like the duration of the score – it was reduced from 2 hours to 1 hour – and the use of pointe shoes were restrict to the sylphs, giving the “real people” a more folkloric aspect.

Bournonville also included a new scene in the second act: the moment in which Effie, accompanied by Gurn and other villagers, looks for James in the woods. Gurn finds his friend’s hat but is convinced by the old sorceress to not tell the others about his findings and also to propose to Effie.

The new production premiered in 1836 and kept alive since then, becoming the most popular one to be restaged worldwide. Although there’s a standard music structure, it’s a mistake to think there are not also some innovations. For the São Paulo Companhia de Dança production, premiered in 2014, for instance, choreographer Mario Galizzi included some new music for the wedding party in order to explore the dancers’ potential. The new musical themes were so well incorporated and choreographies completely based on Bournonville style that it’s hard to say they weren’t there before.

Another very interesting production is Johan Kobborg’s; originally created for the Royal Ballet, nowadays part of Bolshoi’s repertoire. This production has two interesting characteristics. The first one being the inclusion of new musical themes in the two acts: first, after the disappearance of the sylph through the chimney, when James asks Gurn whether he’d also seen that creature. And then, another theme is heard at the moment in which James and Effie are congratulated by friends and neighbors for the wedding. And finally, in the woods, when the sylph shows her world to James.

The second characteristic is related to the sorceress who was named by Bournonville as Madge (in the French version, she has no name). At the end of the ballet, after having her revenge against James, the sorceress raises slightly her skirt revealing underneath a tutu, making clear to the audience that she was a fallen sylph. This makes sense as in this version she’s portrayed as a young woman to the contrary of most of the versions.

All of the above is just proof that, despite all the similarities, no production is exactly the same as the other. Each choreographer is able to show new ways of “seeing” and subtleties, allowing this story to stay alive and flying through the centuries.

ABOUT THE AUTHOR:

Juliana Mel is a researcher, amateur dancer, and dedicates her time to share information about Classical Ballet, preserving its memory. Check out her work here

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Diferentes maneiras de voar

POR JULIANA MEL

Sabemos que uma mesma história pode ser interpretada de diferentes maneiras, e no universo do ballet não é exceção. Mesmo quando uma obra parece não ter muitas variações, como La Sylphide, nós podemos ser surpreendidos.

O ballet foi estreado em 1832 na Ópera de Paris, com coreografia de Filippo Taglioni e música de Jean Schneitzhöffer.

É um marco na história da dança, um verdadeiro divisor de águas. A utilização das sapatilhas de ponta pela primeira vez, a criação do tutu romântico por Eugène Lami e o surgimento do “Ato Branco”, momento no qual todas as bailarinas do corpo de baile utilizam tutus brancos e sapatilhas de ponta, foram algumas inovações que fizeram de La Sylphide um estrondoso sucesso.

Sua história é a pura essência do Romantismo: James, um fazendeiro escocês, está de casamento marcado com uma jovem da aldeia em que vive, mas ao conhecer a sílfide, uma criatura alada que habita nos bosques, fica dividido entre o sonho do amor ideal e a realidade. Uma feiticeira e atitudes impensadas contribuem para o triste desfecho da narrativa.

La Sylphide esteve no repertório da companhia até 1863 e, desde então, ficou esquecido por mais de um século. Somente na década de 1970, Pierre Lacotte resgatou a peça para a Ópera de Paris, que permanece até os dias atuais. A intenção era reconstruir a obra, mas boa parte da coreografia original se perdeu. Para que o projeto se concretizasse, Lacotte se baseou em documentos da época, incluindo o diário de Marie Taglioni, para a sua reconstituição.

Na cena do casamento, por exemplo, há um número adicional extraído de um ballet chamado L’Ombre, com música de Ludwig Wilhem Maurer. A sequência mostra um pas de trois no qual James dança com Effie, sua noiva, e a sílfide. Essa versão já foi remontada por diversas companhias, incluindo o Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na década de 1990.

Mesmo que a produção francesa tenha ficado perdida por muito tempo, a história de La Sylphide sobreviveu graças à montagem de outro coreógrafo: August Bournonville. Ele ficou encantado com a versão original, mas não tinha recursos para levá-la ao repertório do Royal Danish Ballet naquele formato. Foi então que decidiu criar sua própria versão, com nova partitura composta por Herman Løvenskiold. Além da música, outros detalhes também mudaram, como o tempo de duração do ballet, que foi reduzido de duas horas para uma, e deixar as sapatilhas de ponta apenas para o elenco de sílfides, dando ao elenco escocês uma característica mais folclórica.

Bournonville também inseriu uma cena que não existia no segundo ato do ballet: o momento em que Effie, acompanhada por Gurn e outros camponeses procuram por James na floresta. O rapaz encontra o chapéu de seu amigo desaparecido, mas é convencido pela feiticeira a dizer que nada achou e ainda é encorajado a pedir Effie em casamento.

A nova produção estreou em 1836 e sempre se manteve viva, se tornando a versão mais remontada pelo mundo. Embora haja uma estrutura musical padrão, muito se engana quem pensa que não há inovações. Para a montagem da São Paulo Companhia de Dança, estreada em 2014, por exemplo, o coreógrafo Mario Galizzi inseriu algumas músicas na festa de casamento, com o intuito de explorar o potencial dos bailarinos. Os temas foram tão bem incorporados e as coreografias tão embasadas no estilo Bournonville que é impossível dizer que nunca estiveram ali.

Outra montagem interessante é de Johan Kobborg, criada originalmente para o Royal Ballet e que nos dias atuais, compõem o repertório do Bolshoi. Nessa, há duas características interessantes. A primeira é que foram inseridos temas adicionais nos dois atos: primeiro, na cena após o sumiço da sílfide pela chaminé, quando James pergunta a Gurn se ele também teria visto aquela criatura. Depois, outro tema aparece no momento em que James e Effie recebem os cumprimentos pelo casamento de amigos e vizinhos. Por último, na floresta, quando a sílfide mostra seu mundo a James.

A segunda característica é relacionada à feiticeira, a quem Bournonville deu o nome de Madge (na versão francesa, ela não tem nome). Ao final do ballet, após cumprir sua vingança contra James, a feiticeira levanta um pouco a saia revelando um tutu, dando a entender que ela era uma sílfide caída. Isso faz sentido, pois ao contrário da grande maioria das versões, nessa produção ela é retratada bem jovem.

Essa é só uma prova de que apesar das semelhanças, nenhuma montagem é igual à outra. Cada coreógrafo consegue mostrar novos olhares e nuances, fazendo com que essa história se mantenha viva e continue voando através dos séculos.

SOBRE A AUTORA:

Juliana Mel é pesquisadora, bailarina amadora e hoje se dedica a compartilhar informações sobre o Ballet Clássico, preservando sua memória. Confira seu trabalho aqui.

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